Sou Criança - Tamanho não é documento!
(Horizontina – Colégio Piracicabano)
Jesus para que ele as abençoasse, mas os
discípulos os repreenderam. Quando ele viu
não gostou e disse: Deixem que as crianças
venham a mim e não as proíbam, porque
o Reino de Deus é dos que são como estas
Crianças. Lembrem-se disto: Quem não
Receber o Reino de Deus como uma criança
nunca entrará nele. Então Jesus abraçou
as crianças e as abençoou, pondo as mãos
sobre elas.”
Evangelho de Marcos 10: 13-16
Somos iguais ou queremos ser diferentes?
O Evangelho tem a ousadia de nos desafiar a apreender com as crianças e ser como elas...
Precisamos mudar a nossa percepção... nosso hábito de escuta... nosso jeito de olhar... nossa escolha... e confessar que os meninos e as meninas, a partir de suas experiências, de sua visão de mundo, de relações, de expectativas, de sonhos e desejos podem indicar, aos adultos, caminhos ou jeitos de responder a um dos grandes desafios da modernidade que é a “coexistência das diferenças.”
Na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social: não produzia (em termos de trabalho) e até sete não estava obrigada a observar a lei. Aqui a criança serve de parâmetro não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. E Jesus utilizou os parâmetros de seu tempo sócio - econômico e cultural para revelar o desejo de Deus e o “Reino” foi um critério que Ele usou para explicitar o desejo de um mundo de justiça, de afeto e de paz.
A criança é o símbolo porque é o ser em si, pronto para receber o “reino”.
O horizonte apresentado por Jesus é muito largo, sai dos limites da lei, do Templo, das riquezas, do poder, da produção compulsiva e alcança a dimensão do “Reino” que implica na transformação de nossos valores pessoais e coletivos. É preciso tornar-se criança , ser diferente no sentimento, no pensamento e nas ações. “Tornar-se criança” é acreditar na possibilidade do menino e da menina de ser, de ser sujeito do seu presente e futuro, e de interferir no mundo ordenado do adulto para transformá-lo para melhor.
Somos diferentes – dizem as crianças. Queremos que as nossas diferenças como grupo sejam reconhecida como fonte dos nossos direitos.
Houve um tempo em que o sonho de uma sociedade justa era a exigência de uma maior eqüidade entre todos os seres humanos. E o parâmetro da luta era por mais igualdade entre os cidadãos.
O tempo agora exige uma nova concepção, a de que, nós, os humanos, somos diferentes ,de fato, então temos cores diferentes na pele e nos olhos, somos diferentes na origem familiar e regional, nas tradições e fidelidades, temos deuses diferentes, diferentes hábitos e gostos, diferentes estilos enfim pertencemos a culturas diferentes.
O tempo, hoje, no espaço da nação, da cidade, do planeta , do universo e da humanidade motiva-nos a insistir por uma cidadania igual para todos/as – direitos iguais, oportunidades iguais, tratamentos iguais, salários iguais e igualdade de sentir-se bem e de ser. Assim, pessoas de diferentes preferências e orientações – homens e mulheres, velhos e jovens, adultos e crianças, negros e brancos e índios e mestiços e estrangeiros todos/as desejam ser levados/as á sério essencialmente em sua diferença.Que a diferença do grupo seja reconhecida como legítima fonte de direitos específicos, e seja considerada como um valor que deve ser respeitado por todos/as e valer para todos/as, a diversidade humana para o bem do todo. O valor universal se encontra no olhar para a diferença particular como uma condição para a igualdade da vida porque somos produtos culturais.
Vida digna para todos/as é igual a Reino de Deus porque “Reino de Deus, na Bíblia, é paradigma referencial para o desejo de vida de Jesus.” 1 Por exemplo, o evangelista João compreende Jesus como “Eu Sou”. A identidade de Jesus, em João, como aquele que é: água, luz, videira, caminho, paz , vida e pão.
A partir destas reflexões se desejamos um maior compromisso, da nossa Igreja com a questão da Criança ,ou , se queremos sensibilizar a própria criança em relação ao mundo da Igreja, que é um espaço essencialmente de “adultos” , acreditamos que um dos caminhos é pela ação pedagógica. Nesta ação optamos pela prática de Jesus, onde o seu fazer pedagógico é um pensar contínuo sobre o ato de ensinar.(João 6: 4-15) Jesus interage com os discípulos, avalia o problema, aceita e sugere a solução. Depois do versículo 15 os acontecimentos se sucedem, culminando na declaração de Jesus “Eu sou o pão da vida... quem come este pão viverá eternamente.”(48-58) Aqui vemos a ação direta de Jesus sobre um determinado conhecimento, a sua prática resulta em reflexão onde a conclusão é dada na afirmação de que as palavras revelam a realidade divina , que só o Espírito compreende e que resulta em Vida para todas as pessoas. A prática de Jesus fala do seu ser e o seu ser “revela” aos homens, o ser de Deus. A história de Jesus é a fala de Deus. “Jesus é Deus em linguagem humana”.(Schillebeeckx)
O discurso da Bíblia, aqui com matizes e nuanças diferentes , tem um objetivo: mostrar como Deus age na história do seu povo e por onde caminha o seu projeto de Reino.
E aí , para compreendermos a prática de Jesus que causa revolta e escândalo as autoridades civis e religiosas do seu tempo temos que lembrar quem é Jesus - “Jesus, filho de carpinteiro, carpinteiro ele próprio, de Nazaré, é alguém inserido em seu tempo, conhecendo a estrutura básica da sociedade do seu tempo (cidade e aldeias), participante do espaço de liberdade que todo judeu acima de 12 anos tinha (sinagoga), anunciando não a si mesmo, mas uma realidade maior, o Reino. Jesus estava ligado a toda tradição anterior de seu povo, às suas aspirações e esperanças de libertação, de paz, de felicidade para o povo.”2
“Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas e pregando o evangelho do Reino, enquanto curava toda sorte de doenças e enfermidades”.(Mt 9,35)
Jesus é o Filho de Deus, o enviado do Pai o Messias, é solidário com o povo que está à margem da vida. Mas ao mesmo tempo ,Jesus esta intimamente ligado com as esperanças e sonhos deste povo. Ele anuncia o Reino de Deus, à partir da sua prática solidária e fraterna. Jesus é a encarnação histórica do Deus do Êxodo. ( Ex 3,7-8) É possível comparar um Jesus histórico, solidário com o seu povo e a nossa solidariedade com os índios, os
Constatamos que Jesus se identifica, falando quem Ele é. Depois na sua participação no Templo e na solidariedade com as pessoas. Somos diferentes e isto é muito bom porque na individualidade de cada um, de cada uma, nós nos completamos As nossa diferenças nos empurram para um exercício constante “ de amor ao próximo”.
Como olhar para as diferenças na nossa família “e pensar à partir do lugar e da relação da mãe” 3 dos/das filhos/as e do pai?
Será que há espaço para a participação, das crianças, com seu jeito próprio de ser, na rotina da Igreja?
Jesus interferiu na rotina do Templo, sentando e através do diálogo, falando como Ele entendia , sobre o que os doutores da Lei (sacerdotes) diziam. Como as crianças estão dialogando com os adultos da Igreja e as autoridades? Como percebem as Celebrações
E os símbolos presentes no meio dos cultos e reuniões?
Partimos do princípio de que pouco se pensa na criança como alguém que realmente participa da vida comunitária, no espaço da Igreja. Qual é a participação das crianças
Na preparação das celebrações? Em cada culto um dos sentidos é explorado? As nossas orações, de adultos, têm sentido para as crianças? Conhecemos o que as nossas crianças sentem e pensam? Será que as orações que fazemos têm alguma relação com a realidade e com a vivência das crianças?
A nós adultos fica o desafio: Quais são as “imagens” da vida de Jesus que estamos passando para as crianças? Por outro lado: Que “imagem” do Reino de Deus , elas estão construindo, a partir da nossa organização de Igreja local?
Fonte:www.frutosdaluz.com.br
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