segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A Igreja hoje

Por: Russel Shedd

Por que ser membro dela?

É maravilhoso ser membro da Igreja de Jesus Cristo! Ele prometeu, durante seu ministério na terra, que edificaria sua Igreja. A Igreja teve seu início miraculoso com a descida poderosa do Espírito Santo e continua crescendo com sua atuação regeneradora. Ninguém faz parte da Igreja de Jesus Cristo sem nascer do Espírito. Ela é um povo exclusivo de Deus, foi escolhida livremente pela sua graça antes da fundação do mundo e existe inteiramente para sua glória e prazer.

A palavra "invisível" descreve a Igreja universal. Parece infeliz porque sugere uma idéia platônica, isto é, que a Igreja pode existir sem uma expressão visível. Os Reformadores desenvolveram esta descrição para manter o princípio, contra Roma, de que a Igreja está fundamentada na graça livre de Deus. Foi assim que os apóstolos enxergaram o povo redimido – do império das trevas – e transportado para o Reino do seu Filho amado. Somente Deus sabe quem realmente lhe pertence; portanto, invisível para nós.

Para se tornar parte da Igreja, a Bíblia exige confissão pública, normalmente no batismo, e uma fé genuína na ressurreição histórica de Jesus dentre os mortos. Não há garantia de que os que confessaram o nome do Senhor e "creram nEle" foram realmente regenerados. A confirmação da fé salvadora de um membro da Igreja de Jesus Cristo vem através do amor de Deus derramado nos corações dos salvos e a perseverança no caminho. Declara o autor de Hebreus: "Pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio" (3.14 – NVI).

A Igreja é um templo, disse Paulo, querendo dizer com isso que Deus habita no meio de sua família na terra, tal como habitava no Santo dos Santos no templo de Salomão. Para Pedro, a Igreja é representada por uma casa espiritual edificada com pedras vivas porque chegaram à Pedra Viva (Jesus). A Igreja é um campo com plantas (pessoas) que têm qualidades que o Espírito desenvolve para demonstrar seu amor: "alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio" (Gl 5.22,23).

A Igreja ganhou o título de família de Deus pelo fato de que Ele adotou os membros como filhos. A fraternidade dos "irmãos" da Igreja deve ser uma expressão do relacionamento familiar que une os que gozam do direito de fazer parte dessa nova "raça eleita". Ela também é um "novo homem" com ambições distintas dos homens da raça de Adão e Eva.

Tristemente, não podemos concordar com todas as posturas de todos os líderes humanos que pastoreiam mais de um milhão e meio de igrejas locais no mundo inteiro. Alguns deles ensinam doutrinas antibíblicas e promovem práticas opostas às que Deus propõe para sua Igreja. A infidelidade dos membros não nega a finalidade de Deus em resgatar pecadores das garras satânicas, dando-lhes vida pela graça recebida por fé. Deus "nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença" (Ef 1.4).

Ortodoxia doutrinária que produz igrejas que apresentam a imagem de Cristo não pode ser definida com absoluta precisão. No entanto, o alvo que Paulo declarou para os Colossenses deve ser a ambição principal de todos os que amam ao Senhor Jesus de verdade. "Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo" (1.28). Foi o mesmo interesse que Jesus teve logo antes de sua ascensão: "Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei" (Mt 28.19,20).

CONCLUSÃO

As aberrações doutrinárias e desvios nas práticas comprovam a vulnerabilidade da igreja no mundo pós-moderno. Jesus estava consciente do perigo que a igreja correria quando levantou a questão da fé existir ou não na terra quando Ele voltar. Como a igreja de Laodicéia, que não reconhecia sua condição miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua, as igrejas contemporâneas são suscetíveis às tentações mundanas e a viverem longe dos alvos do seu Senhor. Que Deus graciosamente mostre misericórdia para com sua Igreja, enviando líderes e membros comprometidos com as ordens que Ele passou para ela através de seus apóstolos e profetas há dois mil anos.


Fonte:www.lideranca.org

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A RESPEITO DO SERVIR

1. Todos os cristãos receberam dons espirituais (capacidades, habilidades, talentos) que expressam a presença do Espírito Santo em suas vidas: "A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum" (1Coríntios 12.7).

2. O exercício dos dons espirituais implica a riqueza das relações humanas. O serviço voluntário não é uma atividade fria e impessoal. Os bastidores do serviço são o ambiente prioritário para novas amizades e aprofundamentos de relacionamentos afetivos e mutuamente solidários: "Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude" (Filipenses 2.1,2).

3. O envolvimento no serviço é uma via de mão dupla. Vale a expressão "é dando que se recebe". Quem se compromete com o serviço solidário ganha amizades, experiências, aprendizados, senso de pertencimento e a satisfação de ser útil: "lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: 'Há maior felicidade em dar do que em receber' " (Atos 20.35).

4. Serviço é ação. Quem enxerga uma necessidade torna-se responsável por ela. Agente é quem faz: "Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4.17).

5. Servir é uma decisão. Quem fica esperando ser convocado para servir ou que alguém estenda o tapete vermelho para o mundo da solidariedade ainda não compreendeu que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer": "Enquanto é dia, precisamos realizar a obra ... A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar" (João 9.4).

6. Cada um serve do seu jeito. Não há fórmulas nem padrões universais. Alguns gostam mais de tarefas e outros mais de pessoas. Alguns são organizados e metódicos e outros mais espontâneos e flexíveis. Alguns atuam individualmente, outros em grupo: "Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos" (1Coríntios 12.6).

7. Servir é um compromisso. O caráter é a base do serviço. As pessoas engajadas no serviço devem ser confiáveis. Devem honrar a palavra empenhada, pois servir afeta a vida de pessoas: as pessoas parceiras, e as que recebem o serviço, a reputação da comunidade e no fim das contas, o próprio nome de Deus a quem se serve.

8. O serviço deve ser principalmente uma ação organizada e duradoura. Há espaço para contribuições eventuais, mas o compromisso de servir não visa "tapar buracos" e compensar carências.

9. A ação solidária implica a busca da excelência. Tudo quanto se faz de coração e para Deus na direção do próximo deve primar pela máxima qualidade possível. "A excelência honra a Deus e inspira pessoas", disse Bill Hybles.

10. Servir é andar nos passos de Jesus: "Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou"... "Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens" (1João 2.6; Filipenses 2.5-8).

11. Somente servindo ao próximo servimos a Cristo: "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram'" (Mateus 25.34-36).

12. Através do serviço sinalizamos o reino de Deus, para a glória de Deus: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" 5.16).

Fonte: /www.ibab.com.br

© 2008 Ed René Kivitz

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Sou Criança - Tamanho não é documento!

Sou    Criança     -     Tamanho não é documento! 
(Horizontina – Colégio Piracicabano)

“Depois  disso levaram algumas crianças a
Jesus  para que ele as abençoasse, mas os
discípulos os repreenderam. Quando ele viu 
não gostou e disse: Deixem que as crianças
venham a mim e não as proíbam, porque
o Reino de Deus é dos que são como estas
Crianças. Lembrem-se disto: Quem não
Receber o Reino de Deus como uma criança
nunca entrará nele. Então Jesus abraçou 
as crianças e as abençoou, pondo as mãos
sobre elas.”

Evangelho de Marcos 10: 13-16

Somos iguais ou queremos ser diferentes?

O Evangelho tem a ousadia de nos desafiar a apreender com  as crianças e ser como elas...

Precisamos mudar a  nossa percepção... nosso hábito de escuta... nosso jeito de olhar... nossa escolha... e confessar  que os meninos e as meninas, a partir de suas experiências, de sua visão de mundo, de relações, de expectativas, de sonhos e desejos podem indicar, aos adultos, caminhos ou jeitos  de responder a um dos grandes desafios da modernidade que é a “coexistência das diferenças.”

Na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social: não produzia (em termos de trabalho) e até sete não estava obrigada a observar a lei. Aqui a criança serve de parâmetro não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. E Jesus utilizou os  parâmetros de seu tempo sócio - econômico e cultural para revelar o desejo de Deus e o “Reino” foi um critério que Ele usou para explicitar o desejo de um mundo de justiça, de afeto e de paz.

A criança é o símbolo porque é o ser em si, pronto para receber o “reino”.

O horizonte apresentado por Jesus é muito largo, sai dos limites da lei, do Templo, das riquezas, do poder, da produção compulsiva e alcança a dimensão do “Reino” que implica na transformação de nossos valores pessoais e coletivos. É preciso tornar-se criança , ser diferente no sentimento, no pensamento e nas ações. “Tornar-se criança” é acreditar na possibilidade do menino e da menina de ser, de ser sujeito do seu presente e futuro, e de interferir no mundo ordenado do adulto para transformá-lo para melhor.

Somos diferentes – dizem as crianças. Queremos que as nossas diferenças como grupo sejam reconhecida  como fonte dos nossos direitos.

Houve um tempo em que o sonho de uma sociedade  justa  era  a exigência de  uma maior  eqüidade entre todos os seres humanos. E  o parâmetro da luta era por mais igualdade entre os cidadãos.

O tempo agora exige uma nova concepção, a de que, nós, os humanos, somos diferentes ,de fato, então temos cores diferentes na pele e nos olhos, somos diferentes na origem familiar e regional, nas tradições e fidelidades, temos deuses diferentes, diferentes hábitos e gostos, diferentes estilos enfim pertencemos a culturas diferentes.

O tempo, hoje, no espaço da nação, da cidade, do planeta , do universo    e da humanidade motiva-nos a insistir por uma cidadania igual para todos/as – direitos iguais, oportunidades iguais, tratamentos iguais, salários iguais e igualdade de sentir-se bem e de ser. Assim, pessoas de diferentes preferências e orientações – homens e mulheres, velhos e jovens,  adultos e crianças, negros e brancos e índios e mestiços e estrangeiros todos/as  desejam ser levados/as á sério  essencialmente em sua diferença.Que a diferença do grupo seja reconhecida como legítima fonte de direitos específicos, e seja considerada como um valor que deve ser respeitado por todos/as e valer para todos/as, a diversidade humana para o bem do todo. O valor universal se encontra no olhar para a diferença particular  como uma condição para a igualdade da vida porque somos  produtos culturais.

Vida digna para todos/as  é igual a Reino de Deus porque “Reino de Deus, na Bíblia, é paradigma referencial para o desejo de vida de Jesus.” 1  Por exemplo, o evangelista João  compreende Jesus como “Eu Sou”. A identidade de Jesus, em João,  como aquele que é: água, luz, videira, caminho,  paz , vida e pão.

 A partir destas reflexões se desejamos um  maior compromisso, da nossa Igreja com  a questão da Criança ,ou , se queremos sensibilizar a própria  criança em relação ao mundo da Igreja, que é um espaço essencialmente de “adultos” ,  acreditamos que um dos caminhos  é pela ação pedagógica.  Nesta ação optamos pela prática de Jesus, onde  o seu fazer pedagógico  é um  pensar  contínuo sobre o ato de ensinar.(João 6: 4-15) Jesus interage com os discípulos, avalia  o problema, aceita e sugere a solução. Depois do versículo 15 os acontecimentos se sucedem, culminando na  declaração de Jesus  “Eu sou o pão da vida... quem come este pão viverá eternamente.”(48-58)  Aqui vemos a ação direta de Jesus sobre um determinado conhecimento, a  sua  prática resulta em reflexão onde a conclusão é dada na afirmação de que  as palavras   revelam a realidade divina , que  só o Espírito compreende e que resulta em Vida para todas as pessoas. A prática de Jesus fala do seu ser e  o seu ser  “revela” aos homens, o ser de Deus. A história de Jesus é a fala de Deus. “Jesus é Deus em linguagem humana”.(Schillebeeckx)

O discurso da Bíblia, aqui com matizes e nuanças diferentes , tem um objetivo: mostrar como  Deus age na história do seu povo e por onde caminha o seu projeto de Reino.

E aí , para compreendermos  a prática de Jesus que causa  revolta e escândalo as autoridades civis e religiosas do seu tempo temos que  lembrar quem  é Jesus  - “Jesus, filho de carpinteiro, carpinteiro ele próprio, de Nazaré, é alguém inserido em seu tempo, conhecendo a estrutura básica da sociedade do seu tempo (cidade e aldeias), participante do espaço de liberdade que todo judeu acima de 12 anos tinha (sinagoga), anunciando não a si mesmo, mas uma realidade maior, o Reino. Jesus estava ligado a toda tradição  anterior de seu povo, às suas aspirações e esperanças de libertação, de paz, de felicidade para o povo.”2

“Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas e pregando o evangelho do Reino, enquanto curava toda sorte de doenças e enfermidades”.(Mt 9,35)

Jesus é o Filho de Deus, o enviado do Pai o Messias,  é solidário com o povo  que está à margem da vida. Mas ao mesmo tempo ,Jesus esta intimamente ligado com as esperanças e sonhos deste povo. Ele anuncia o Reino de Deus, à partir da sua prática solidária e fraterna. Jesus é a encarnação histórica do Deus do Êxodo.  ( Ex 3,7-8)  É possível comparar  um  Jesus histórico, solidário com o  seu povo  e  a  nossa solidariedade com os  índios,  os Velhos e as crianças?

Constatamos que Jesus se identifica, falando quem Ele é. Depois na sua  participação no Templo e na solidariedade com as pessoas. Somos diferentes e isto é muito bom porque na individualidade de cada um, de cada uma, nós nos completamos As nossa diferenças  nos empurram para um exercício constante “ de amor ao próximo”.

Como olhar para as diferenças na nossa família  “e pensar à partir do lugar e da relação da mãe” 3 dos/das filhos/as e do pai?

  Será que há espaço para a participação, das crianças, com seu jeito próprio de ser,  na rotina da Igreja?

Jesus interferiu na rotina do Templo, sentando e através do diálogo, falando  como Ele entendia , sobre o   que os doutores da Lei (sacerdotes)  diziam. Como as crianças estão dialogando com os adultos da Igreja e as autoridades? Como percebem  as Celebrações

E os símbolos presentes no meio dos cultos e reuniões?

Partimos do princípio de que pouco se pensa  na  criança como alguém que realmente participa da vida comunitária, no espaço da Igreja. Qual é a participação das crianças

Na preparação das celebrações? Em cada culto um dos sentidos é explorado? As nossas orações, de adultos, têm sentido para as crianças? Conhecemos o que  as nossas crianças sentem e pensam? Será que as orações que fazemos têm alguma relação com a realidade e com a vivência das crianças?

A nós adultos fica o desafio: Quais são as “imagens” da  vida de Jesus que estamos    passando para as crianças?  Por outro lado: Que “imagem” do Reino de Deus , elas estão construindo, a partir da nossa organização de Igreja local?

Fonte:www.frutosdaluz.com.br