domingo, 17 de maio de 2009

A SURPREENDENTE NOVIDADE

Otto Maduro definiu religião como "um conjunto de discursos e práticas, referente a seres anteriores ou superiores ao ambiente natural e social, em relação aos quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação" [Religião e luta de classes. Petrópolis: Vozes, 1981]. Por trás de toda experiência religiosa existe uma mesma lógica: a relação de dependência e obrigação entre os deuses e seus fiéis. Como numa espécie de contrato, as partes estão comprometidas: o fiel obedece e cumpre obrigações e o tal deus recompensa abençoando. Na lógica religiosa "não existe almoço grátis". Outra maneira de dizer isso é afirmar que a religião está baseada na relação de méritos, que resultam em bênçãos, e deméritos, que resultam em maldições. Para que um determinado deus faça alguma coisa, os seus seguidores devem cumprir obrigações para com ele. O favor dos deuses custa caro.

Nesse sentido, o Cristianismo é o fim da religião, pois faz desmoronar a lógica da justiça retributiva. A mensagens dos apóstolos e dos cristãos chamados primitivos faz surgir no cenário religioso do mundo antigo uma novidade que até hoje ainda não foi bem compreendida. A surpreendente novidade do Cristianismo atende pelo nome de Graça de Deus. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é singular: ele não pode ser comprado. Não há nada que uma pessoa possa fazer para merecer o favor de Deus. Não há nada que uma pessoa possa fazer para atrair sobre si a ira de Deus. Essa é a essência da obra de Jesus Cristo na cruz do Calvário: "Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens [...] Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado (Cristo), para que nele (Cristo) nos tornássemos justiça de Deus" [2Coríntios 5.18,20].

A partir de Jesus Cristo não mais precisamos temer a ira de Deus, pois "nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo" [Romanos 8.1], e não precisamos mais barganhar com Deus para alcançar seu favor, pois "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com Ele, e de graça, todas as coisas?" [Romanos 8.32]. Libertos das obrigações em relação a Deus, estamos livres dos estreitos limites impostos pelos ritualismos e moralismos da lógica religiosa, o que nos exige responder por que, então, ainda nos dedicamos a fazer a vontade de Deus. Somente uma resposta é possível: fazemos a vontade de Deus porque a graça de Deus assemelha nosso coração ao coração de Deus. Antes, escravizados pela lógica "obedecer para receber a bênção", fazíamos a vontade de Deus para fugir de sua ira e alcançar o seu favor. Agora, libertos pela graça, fazemos a vontade de Deus porque a ela nosso coração se afeiçoou: fomos transformados no entendimento, e passamos a considerar a vontade de Deus algo bom, perfeito e agradável [Romanos 12.1,2]. Aquele que foi alcançado pela graça, já não tem obrigação de fazer a vontade de Deus. Mas tem prazer [Salmo 1.2]. São esses os que podem dizer: "Pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi inútil" [1Coríntios 15.10].

2009 | Ed René Kivitz

domingo, 26 de abril de 2009

Ação Solidária - Morro da Luz

No último sábado (25/04) fizemos um trabalho de ação social e evangelismo em uma comunidade que temos visitado a algum tempo. Muitas coisas aconteceram, nada que seja assim "sobrenatural" que os mais empolgados (neo-pentecas) se admirassem. As coisas que aconteceram foram simples, porém muito significativas; todos foram muito abençoados.

Pessoas foram tocadas enquanto um serviço lhes era prestado, seus cabelos foram cortados, seus dentes cuidados com as aplicações de flúor, os índices glicêmicos, triglicerídeos e a pressão arterial aferidos, um olhar de aceitação lhes foi direcionado, que talvez não recebessem há muito tempo. Jesus estava ali, tanto em quem estava oferecendo quanto em quem estava recebendo.

O que quero destacar é o fato de que durante todo o dia pessoas completamente diferentes, de realidades eclesiásticas muito distantes umas das outras; de mundos diferentes; de denominações diferentes. Eu percebi que dentro desta realidade, que mesmo sendo tão diferentes, as pessoas estavam unidas fazendo a obra de Deus, ou seja, envolvidas com a Missão de Deus e com isso as "barreiras" caíram. Durante todo o dia ninguém perdeu tempo com discussões doutrinárias, sequer procuramos saber a denominação uns dos outros. Jesus estava ali, de fato, sim Ele estava...

Que interessante, quando o envolvimento da Missão toma conta de nós nos esquecemos absolutamente do que sempre nos dividiu, nossa religião. Jesus veio para unir, mas a religião tem dividido. O maior sinal da Presença e da aprovação de Deus não são os milagres como muitos pensam, mas sim a unidade. Jesus não disse que o que revelaria ao mundo que aqueles homens eram Seus discípulos seriam as manifestações de poder (milagres), mas sim o amor uns pelos outros, a unidade. Jesus estava ali...

Que coisa mais linda, pessoas "nada a ver" umas com as outras conseguindo se relacionar fraternalmente, falando uma mesma língua, com uma só meta, se doando... se isto não é avivamento então eu não sei o que é. Este é o maior sinal da Presença de Jesus na comunidade cristã, a capacidade de viver uns com os outros em amor e olhando um só fim: a Glória de Deus.

Eu sei que muitas vezes (quase sempre) o trabalho missionário é meio "marginal", fora da nossa realidade eclesiástica, mas o tem isso, Deus está feliz não é verdade? As pessoas acham que somos "estranhos" por fazer o que fazemos, nós achamos eles estranhos por não fazerem o mesmo que nós...

Concluindo, quero louvar ao Senhor pela vida de todos aqueles que participaram deste primeiro projeto, não quero citar nomes aqui, pois poderia cometer o pecado de me esquecer de alguém, mas a todo aquele que de alguma maneira se envolveu pode sentir-se abraçado por mim e incentivado a continuar nesta causa, a do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.

Pr.JM